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Yom Kipur (5779) de 18 ao 19/09 - Perashá Vayêlech (Devarim/Deuteronômio 31:1-30)
Setembro de 2018 - I. Yom Kipur e o Poder do Perdão, por Rabino Gabriel Aboutboul. Yom Kipur é a oportunidade dada por D’us de virar a página de nossa vida e acreditar em nossa capacidade de melhorar. Devemos corrigir os erros, mas não nos tornarmos reféns do passado, incapazes de olhar para o futuro. Durante os dias que antecedem Yom Kipur, o Dia da Expiação, recitamos antes das orações matinais as Selichot – os pedidos de perdão a D’us. Sempre nos referimos a essas orações no plural – Selichot – e não no singular, Selichá. Nossos Sábios explicam que isso significa que o pedido de perdão tem duas vias: não apenas pedimos perdão, mas, também, perdoamos. A quem precisamos perdoar? Às outras pessoas, a D’us e a nós mesmos. Na língua hebraica, há várias palavras que significam perdão. As preces de perdão foram chamadas de Selichot porque o valor numérico de Selach é 98, que é o número de maldições mencionadas na Torá. Isso para nos ensinar que o perdão tem o poder de transformar a maldição em bênção, neutralizan do tudo o que há de negativo no mundo. Mas o que significa perdoar, de acordo com o judaísmo?

O que significa perdoar? Na Torá, há mandamentos que determinam tanto nossa relação com D’us quanto com relação a outros seres humanos. 

Consequentemente, há dois tipos de erros que o homem pode cometer contra: D’us e contra seus semelhantes. O que significa pedir perdão a D’us pelos erros e transgressões cometidas contra Ele? Significa reconhecer que, ao longo do  ano, nem sempre cumprimos Seus mandamentos. Em Yom Kipur, D’us pode perdoar-nos apenas por esse tipo de transgressões e não pelas faltas que cometemos contra outros seres humanos. E o que implica pedir perdão a uma pessoa? Não significa apenas dizer “Me perdoe”, apesar disto ser um bom começo. Pedir perdão implica procurar reparar o erro. Se tivermos prejudicado alguém financeiramente, devemos devolver o que devemos ou, no mínimo, admitir a dívida. Se tivermos denegrido a imagem de alguém, devemos tomar as medidas necessárias para redimi-la. (Vale ressaltar, porém, que quando ofendemos ou prejudicamos outra pessoa, é necessário um pedido de perdão duplo – tanto a ela quanto a D’us. Pois ofender, ferir ou prejudicar outra pessoa de qualquer forma é, também, uma transgressão dos mandamentos Divinos, que nos ordenam amar a todos, fazer o bem e nunca fazer mal a ninguém). Portanto, para se obter o perdão em Yom Kipur, precisamos procurar consertar nosso relacionamento tanto com D’us como com as outras pessoas.

Porém, não adianta bater no peito e confessar os pecados, e esperar que D’us nos perdoe inclusive pelos erros que cometemos contra os outros. Para sermos perdoados desses erros, precisamos, antes do início de Yom Kipur, pedir desculpas àqueles que, de alguma forma, prejudicamos ou magoamos. Precisamos fazer de tudo para retificar nossos erros – tanto com atos como com palavras. A verdade é que cada um de nós precisa pedir perdão e também perdoar os outros. Assim como quem falhou com outra pessoa deve pedir perdão, cabe à pessoa que recebeu um pedido de desculpas perdoar, contanto que o pedido dela seja sincero e de fato faça o possível para corrigir o erro cometido.Acima, mencionamos que há três tipos de perdão. Devemos perdoar as outras pessoas, devemos perdoar a D’us e devemos perdoar a nós mesmos. Para muitos, é mais fácil perdoar aos outros seres humano e a D’us do que a si próprio. Muitas pessoas se condenam por suas falhas e são incapazes de se perdoar. Esta inabilidade é algo negativo, pois nossa vida 

fica presa ao passado. O auto-perdão é uma demonstração de humildade, pois demonstra que reconhecemos que somos humanos e não infalíveis.

A grandeza de Rosh Hashaná e Yom Kipur é que D’us instituiu um dia no qual temos a oportunidade de “virar a página”. Precisamos estar cientes de nossos erros – e fazer todo o possível para corrigi-los – mas não podemos permitir que eles nos definam. Não podemos nos tornar reféns dos erros do passado, incapazes de olhar para frente. Yom Kipur não é o dia em que falamos para D’us que somos “inocentes”, e sim, em que admitimos nossa culpa. Mas é, também, o dia em que expressamos o desejo de melhorar. Assumir nossos erros já é parte integrante da obtenção do perdão. Há uma enorme diferença entre o que a pessoa é e o que ela faz. Fazer algo errado não significa ser errado. Um mau comportamento, uma má atitude não pode definir quem a pessoa é. Isso, evidentemente, não significa que nossos atos não sejam importantes e significativos. Significa que eles não podem nos definir: talvez erramos ontem, talvez erramos hoje, mas amanhã podemos agir corretamente. O fato de uma pessoa errar não significa que ela não deva ser perdoada ou que não possa modificar-se. Rabi Shneur Zalman de Liadi, o Alter Rebe, fundador do movimento Chabad-Lubavitch, explica o significado de um verso nos Salmos que, aparentemente, não faz sentido. Está escrito que “D’us nos perdoa para que possamos temê-Lo”. À primeira vista, esse conceito parece ser ilógico: se alguém sabe que será perdoado, deveria ter menos medo de pecar. O Alter Rebe explica esse verso com uma metáfora. Suponhamos que alguém tomou um grande empréstimo no banco para investir em um negócio. Infelizmente, não teve sucesso. Se o gerente do banco for exigir a devolução do empréstimo, além do pagamento de todos os juros, ele fará com que a dívida se torne impagável. Mesmo se o devedor quisesse pagar a dívida, não conseguiria.

Consequentemente, ele não fará qualquer tentativa para devolver o dinheiro que tomou emprestado. Contudo, se o gerente do banco estiver disposto a negociar – se oferecer um plano viável para o devedor pagar o que deve –, haverá mais chance de o banco recuperar o empréstimo. Um fenômeno parecido ocorre no relacionamento entre o homem e D’us. Se D’us fosse excessivamente exigente – se Ele cobrasse todo pecado cometido – romperíamos a relação com Ele: passaríamos a fugir Dele, a ignorá-Lo. O Eterno, então, propõe um acordo – Ele nos perdoa e facilita o pagamento de nossa dívida com Ele – para que seja possível manter o relacionamento. Muitas pessoas acreditam que perdoar é um sinal de fraqueza.

Na realidade, é exatamente o oposto. A falta de perdão é sinal de fraqueza e insegurança enquanto perdoar é um ato de coragem, de força. Perdoar não significa dar permissão para que a pessoa volte a cometer o mesmo erro. Significa ter fé que a pessoa que errou não voltará a errar no futuro. Perdoar alguém significa acreditar nela. D’us nos perdoa porque Ele acredita em nós: Ele confia que nosso futuro será melhor que nosso passado. Em muitos casos, não conseguimos compreender por que alguém deveria merecer ser perdoado: por que deveria ter uma segunda ou até uma terceira chance. Daí ocorre que D’us nos faz passar por algo parecido – nós, também, acabamos falhando – e clamamos por perdão – algo que não queríamos dar a outra pessoa.

Muitas pessoas não querem perdoar os outros, mas a pergunta que se deve fazer a elas é: se fosse você que tivesse errado, você também gostaria de não ser perdoado? Nossos Livros Sagrados nos ensinam que D’us se comporta conosco da forma como nos comportamos com as outras pessoas. Se formos tolerantes com outros, Ele será tolerante conosco. Por outro lado, se formos excessivamente rigorosos com as outras pessoas, Ele será excessivamente rigoroso conosco.

O Baal Shem Tov, fundador do Movimento Hassídico, ensinou que depois que a pessoa deixa este mundo, é ela própria que decreta seu próprio veredicto perante a Corte Celestial. Mostram a ela os atos de uma pessoa – sem revelar que se trata dela mesmo – e se lhe pergunta: “Qual deve ser o veredicto?”. Após a pessoa julgar o caso, é revelado a ela que se trata dela própria. Isso significa que as pessoas que estão acostumadas a julgar os outros favoravelmente acabarão julgando-se favoravelmente perante a Corte Celestial. Por outro lado, aqueles que são demasiadamente rigorosos com os outros, arriscam-se a se autocondenar. Quando alguém é rigoroso demais, esse rigor acaba se voltando contra si próprio. O que impede o ato de perdoar ou de pedir perdão? Orgulho, arrogância e medo. E esses sentimentos estão entrelaçados.

Muitas pessoas não pedem perdão às outras por motivo de orgulho: Por que eu deveria pedir perdão a tal pessoa? Afinal, sou muito mais importante, mais experiente, mais inteligente, mais bem-sucedido do que ela... O outro motivo é o medo da resposta. Muitos temem não serem atendidos e que isso seja motivo de vergonha, ou seja, de orgulho ferido.

Em Yom Kipur, pedimos perdão a D´us, mas, também, precisamos perdoar D’us. Conta-se a seguinte história sobre um grande mestre chassídico, o Rabi Elimelech de Lijensk. Na noite que antecede Yom Kipur, ele enviou um de seus alunos a certo botequim, para que este aprendesse o significado do perdão duplo. Ao chegar ao botequim, o aluno nota que o dono pede à sua esposa uma caderneta. Ela leva uma caderneta para o marido onde ele havia recordado, ao longo do ano, tudo que D’us fizera de errado com ele: todos os sofrimentos que ele tinha passado durante o ano. Após terminar de ler essa caderneta, ele pede à sua esposa uma outra caderneta onde ele havia escrito todos os pecados que ele fizera contra D’us, ao longo do ano. Após ler essa caderneta, o dono do botequim se dirige a D’us, diz “Le’Chaim” e toma uma dose de bebida. Aí, diz: “D’us, você me perdoa por tudo que eu fiz de errado com o Senhor ao longo do ano e eu O perdoo por tudo de mal que o Senhor fez comigo ao longo do ano”. Essa história pode fazer as pessoas sorrirem, mas é algo sério. Cada um de nós falha contra D’us ao longo da vida, mas todos nós temos, também, nossas chateações e ressentimentos em relação a Ele. Às vezes, brigamos com D’us, mesmo quando certas coisas acontecem em nossa vida que não têm nenhuma ligação com Ele. Por exemplo, brigamos com alguém na sinagoga, e deixamos de frequentá-la, ou algo não ocorre como esperávamos e deixamos de colocar Tefilin. Em certos casos, porém, é justificado o sentimento de que D’us nos desapontou. Muitos de nós carregamos esse tipo de sentimento, principalmente, quando coisas difíceis acontecem ao longo do ano. Infelizmente, esse tipo de sentimento negativo acaba tomando conta de nosso coração.

Yom Kipur é o período do ano em que devemos livrar-nos desse tipo de sentimento. Yom Kipur – e os dias que antecedem essa data – é a época do ano para abrir um espaço para D’us em nossa vida, mesmo se acharmos que Ele “não merece”: mesmo se acreditamos que Ele não foi “tão bom” conosco no ano que se passou. Muitas pessoas pensam, “Fiz tantas coisas boas e como é possível que D’us permitiu que tal coisa ruim acontecesse comigo ?”. Na realidade, nenhum de nós tem noção da Contabilidade Celestial e do que é, de fato, bom ou ruim para nós.

De qualquer forma, vale ressaltar que mesmo esse tipo de ressentimento contra D’us é uma grande mostra de fé. Pois nós não nos zangamos com alguém em quem não acreditamos, tampouco nos chateamos com alguém de quem não esperamos nada de bom. As pessoas se chateiam com D’us porque acreditam Nele e esperam que Ele faça apenas o bem. Portanto, decepcionar-se com D’us é um sinal de grande fé, tanto na existência como na bondade infinita Dele. Mas apesar desses sentimentos serem um sinal de fé, precisamos removê-los do nosso coração, pois eles obstruem nosso caminho e nossa felicidade. Sentimentos de dor, raiva e ressentimento, mesmo que totalmente justificáveis, são um grande obstáculo para tudo de bom na vida. Sentir raiva é o mesmo que tomar um copo de veneno e desejar que outra pessoa morra. Quem se prejudica é quem sente raiva – não o objeto da raiva. Como então, lidar com a dor, principalmente quando ela é profunda? A forma de lidar com a dor é tentar enxergar as coisas de forma diferente.

Yom Kipur é o dia de lembranças. Nesse dia, lembramo-nos de Amalek (o arqui-inimigo histórico do Povo Judeu), do mal, do Holocausto, das perseguições, dos 10 mártires que foram assassinados por Roma. Em Yom Kipur, lembramo-nos de nossos entes queridos que não mais estão entre nós. Quando nos lembramos desses entes queridos, podemos lembrar a dor causada pela perda e pela ausência ou podemos nos lembrar dos momentos alegres com eles. Quando se recita o Hashkabah ou Yizkor1 em Yom Kipur e lembramos as almas que partiram deste mundo, devemos nos lembrar dos momentos preciosos que passamos com elas e do privilégio de as termos tido entre nós.

O Midrash nos ensina o seguinte: Quando Moshé Rabenu ensinou ao Povo de Israel o verso da Torá, “Lembre-se o que Amalek fez quando você saiu do Egito”, o povo disse a ele: “Moshé, nosso mestre. Um verso da Torá afirma, ‘Lembre-se o que Amalek fez para ti’. Outro verso diz: ‘Lembre-se do dia do Shabat para santificá-lo’. Como se cumprem ambos os versos? Um nos ordena lembrar e o outro, também. Moshé respondeu: “Um copo de vinho não é o mesmo que um copo de vinagre, mas esse é um copo e aquele também é um copo. Há a lembrança do Shabat e a lembrança de Amalek”. Esse Midrash contém lições profundas.

O vinagre é um derivado do vinho, mas este é doce e aquele é azedo. Ambos, o vinho e o vinagre, advêm da uva e ambos são bebidos em um copo. Na vida, temos a opção de beber um copo de vinho ou de vinagre. Tudo depende de como enxergamos as coisas, como lidamos com as lembranças. Isso é uma lição muito importante para esta e para as futuras gerações de judeus.

Evidentemente, elas precisam aprender sobre a dor que nosso povo passou, as perseguições, o Holocausto. Mas também precisam aprender que o judaísmo é um copo de vinho e não de vinagre. Quando o pai traz o filho à sinagoga, deve ser não apenas em Yom Kipur, mas em Simchat Torá também, para que o filho aprenda que o judaísmo não se restringe a orações e jejuns, mas é, também, um modo de vida baseado na alegria. De fato, um dos fundamentos da Torá é o mandamento de servir a D´us com alegria. Mas para poder viver com alegria, precisamos aprender a perdoar. Precisamos perdoar a D’us, as outras pessoas e a nós mesmos.

Uma história verídica - Essa história, além de verídica, serve também como metáfora. O pai da história é D’us e todos nós somos Seus filhos. Yom Kipur é o dia em que nos reencontramos: em que Ele e nós descobrimos que Ele não nos perdeu. Yom Kipur é o dia em que vamos à sinagoga para dizer a D’us que ainda estamos juntos e que assim continuaremos, eternamente. Mas como na história relatada acima, esse nível de ligação e conexão com D´us só é alcançado quando retiramos de nós sentimentos negativos contra Ele, contra outras pessoas e contra nós mesmos. Yom Kipur é o dia mais sagrado do ano. É o momento em que se revela a essência de nossa alma. Nesse dia, revela-se o nível de conexão essencial que existe entre nós e D’us. Nesse dia do Perdão não interessa o que fizemos, e sim, o que somos. Ao tomarmos consciência de quem somos, torna-se possível expressar a essência do nosso ser.

Por que as pessoas que não vão à sinagoga o ano inteiro fazem questão de ir em Yom Kipur? Há judeus que praticamente não cumprem nenhuma mitzvá, mas jejuam em Yom Kipur. A única explicação é que em Yom Kipur, o dia mais importante do ano, revelamos quem, na verdade, somos. Nesse dia, é revelado que nossa conexão com D’us é a temporal e independente de nossas ações. Em Yom Kipur, nós nos sentimos conectados com D’us, com a comunidade judaica e também com as almas dos falecidos. É na sinagoga que recitamos o Yizkor e nos lembramos dos falecidos, porque no Mundo da Verdade, as almas desejam ser lembradas em um lugar sagrado – na sinagoga. Yom Kipur é, portanto, um dia de amor: amor a D’us e amor às outras pessoas – as que se encontram conosco e as que estão no Mundo da Verdade.

Sabe-se que quando um pai deseja fazer uma festa de aniversário, ele quer que todos os seus filhos estejam presentes, independentemente de onde vivam. Se todos os filhos não puderem comparecer, o pai prefere que não haja festa. Yom Kipur é o dia em que nosso Pai deseja que todos os Seus filhos venham à sinagoga. É por esse motivo que antes de se iniciarem as orações em Yom Kipur, o chazan recita uma frase, “Anu Matirim”, afirmando que todos, mesmo aqueles que cometeram grandes pecados e renunciaram ao judaísmo, podem rezar juntos na sinagoga naquele dia. Pois nesse momento, o Pai convoca todos os Seus filhos. Ele não quer apenas alguns deles – os que se comportaram bem. Ele quer todos eles.

Em Yom Kipur, recita-se o “Avinu Malkenu” – “Nosso Pai, nosso Rei”. O Baal Shem Tov transmitiu um ensinamento a respeito dessa prece, que nos ajuda a ter uma percepção bastante diferente a respeito do Yom Kipur. De fato, é um dia em que somos julgados. Por que, então, é um dia de tanta alegria, felicidade e união? Porque o Juiz é o nosso Pai. Diz-se que nunca se sabe o que pode sair da cabeça de um juiz, mas se o Juiz é o próprio Pai, podemos ficar tranquilos. D’us é nosso Rei, que nos julga, mas antes de ser Rei, Ele é Pai. Por esse motivo, falamos Avinu Malkenu, não Malkenu Avinu. E um pai é sempre misericordioso e bondoso com seus filhos. Yom Kipur é o Dia da Expiação, o Dia do Perdão. Pedimos perdão a D’us e perdoamos aos outros, mas só podemos perdoar a D’us quando sabemos que Ele é nosso Pai, pois quando é nosso Pai quem fala, ouvimos apenas bênçãos.

Rabino Gabriel Aboutboul é um renomado palestrante, autor e rabino atuante no Rio de Janeiro. [1]

II. Kaparot - Ritual Simbólico: Algumas pessoas têm o costume de realizar o rito das kaparot (expiação simbólica dos pecados) no dia anterior a Iom Kipur. Se não for possível neste dia, o rito pode ser feito anteriormente. O ritual consiste em pegar um frango em uma mão e recitar uma reza. O homem usa um galo; a mulher uma galinha; uma mulher grávida usa dois pássaros domésticos um galo e uma galinha. Idealmente, os pássaros domésticos devem ser brancos, para simbolizar a purificação do pecado, conforme o versículo: E se seus pecados forem como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve. Isaías 1:8. No entanto, não é necessário que se faça muito esforço para encontrar pássaros domésticos brancos. Se o galo ou a galinha não forem encontrados, eles podem ser substituídos por outra ave ou outro animal; até mesmo um peixe pode ser utilizado para o ritual. Entretanto, pombas não podem ser usadas, já que pombas eram usadas como sacrifício no Templo, e isto poderiam causar a impressão de que as kaparot são um a forma de sacrifício. O pássaro doméstico (ou outro animal) usado para kaparot é segurado com a mão direita, e o texto apropriado do livro de rezas é recitado. O passáro é então passado sobre a cabeça da pessoa, e a reza apropriada é feita. A palavra kaparot [assim como Kipur] significa julgamento, e é usada para se referir aos frangos, mas as kaparot em si não são fonte de julgamento. Na verdade, elas servem como um meio para conscientizar a pessoa que ela pode estar merecendo ser castigada por seus pecados, e que, portanto, deve estar motivada a re-pensar suas atitudes, e pedir misericórdia a D'us. A ave é então morta de acordo com o procedimento halachico. É costumeiro substituir as aves por dinheiro, que é posteriormente doado aos pobres. Alguns doam as próprias aves aos pobres. Outros fazem todo o ritual com dinheiro, recitando as rezas e doam o dinheiro para obras de caridade. [2]

Fontes: 

[1] Morasha - Edição 89 - Setembro de 2015: http://www.morasha.com.br/yom-kipur/yom-kipur-e-o-poder-do-perdao.html 

[2] http://eretzisraelmv.blogspot.com/2011/10/kaparot-ritual-simbolico.html (Chabad)

Coordenador: Saul S. Gefter, Diretor Executivo 05 de Tishrei de 5779 – 14 de setembro de 2018

1) Perashá Vayêlech (Devarim/Deuteronômio 31:1-30) 

Inicia-se com Moshê/Moises caminhando pelo acampamento do povo judeu no último dia de sua vida, para despedir-se de seu amado povo. Em seguida, ele ensina-lhes a mitsvá de hakhel, a reunião da nação inteira a cada sete anos para ouvir o rei ler certas passagens da Torá, e D'us dirige-se a Moshê e Yehoshua/Josué (que receberá o manto da liderança) na Tenda da Assinação, ordenando-lhes copiar a Torá e continuar ensinando-a ao povo judeu. A parashá conclui com a preocupação de Moshê de que o povo judeu possa desviar-se da Torá após sua morte, acarretando-lhes punições. D‘Var Torá - Mensagem da Perashá – Teshuvá - por Rabino Shmuel M. Butman Um dos temas principais em Yom Kipur é teshuvá, arrependimento.

Como é explicado no místico livro, O Zohar, uma das muitas atribuições do Rei Mashiach (Messias) é que ele trará até os justos (tsadikim) ao arrependimento. Na superfície, isso parece contraditório. Se eles são realmente tsadikim, por que precisariam se arrepender? E se eles realmente têm algo de que se arrepender, como podem ser chamados de justos? A filosofia hassídica resolve este problema explicando que quando Mashiach vier, os justos não terão de expiar quaisquer pecados. 

Ao contrário, ao fazer teshuvá (literalmente, retornar a D’us), ele combinarão simultaneamente a vantagem da pessoa justa que nunca pecou com a vantagem de alguém que retorna em penitência. Explicando: Um tsadic (um justo) vive sua vida exatamente como D’us deseja que ele o faça, observando Torá e mitsvot sem jamais cometer qualquer transgressão. Sua vida inteira é passada no âmbito da santidade e pureza. Um báal teshuvá (penitente), em contraste, tem a vantagem de poder realmente transformar a escuridão em luz.

Exatamente porque ele se afastou tanto, seu desejo de apegar-se a D’us é ainda maior que o do tsadic. Seu amor por D’us é tão intenso que até seus pecados deliberados são transformados em méritos. Quando Mashiach/Messias vier, o justo fará teshuvá no sentido de ascender a níveis ainda mais altos de conexão com D’us. Quando toda a humanidade, incluindo os tsadikim, testemunhar a infinita santidade da Era Messiânica, até os níveis espirituais mais elevados que já foram atingidos parecerão ser nada, e serão alçados a alturas nunca vistas, com a energia e vigor dos baalei teshuvá. Isso, evidentemente, será realizado por Mashiach, que abrirá os olhos do mundo inteiro à subjacente realidade Divina da existência. Que possa ocorrer em breve.

2) Para Contemplar – “Biologia Ao Contrário”, Adaptado por Rabino Yanki Tauber, de uma palestra do Rabino Menachem Mendel Schneerson, Z”L – Uma pessoa consiste de um corpo e uma alma – um invólucro físico de carne, sangue, tendões e ossos, habitado e vitalizado por uma força espiritual descrita pelos mestres chassídicos como literalmente uma parte do D’us acima. A sabedoria comum acredita que o espírito é mais elevado que a matéria, e a alma, mais sagrada (i.e., mais próxima do Divino) que o corpo. Este conceito parece ter sua origem no fato de que em Yom Kipur, o dia mais sagrado do ano quando atingimos o auge da intimidade com D’us, seja ordenado pela Torá como dia de jejum, no qual aparentemente abandonamos o corpo e suas necessidades para nos devotar exclusivamente às atividades espirituais de arrependimento e prece. Na verdade, no entanto, um dia de jejum faz aflorar um relacionamento mais profundo com o corpo. Quando uma pessoa se alimenta, é nutrido pela comida que ingere.

Num dia de jejum, a vitalidade vem do próprio corpo, da energia armazenada em suas células. Em outras palavras, em dias menos sagrados, é uma força externa (a energia do alimento) que mantém o corpo e alma juntos; em Yom Kipur, a união do corpo e alma deriva do próprio corpo. Yom Kipur, assim, oferece um sabor do supremo estado da criação, conhecido como o Mundo Vindouro. O Talmud nos diz que no Mundo Vindouro, não é preciso comer nem beber – uma declaração que às vezes é entendida como implicado que em seu estado mais perfeito, a criação é totalmente espiritual, sem corpos e todas as coisas físicas. O ensinamento cabalista e hassídico, no entanto, descreve o Mundo Vindouro como um mundo no qual a dimensão física da existência não é anulada, mas preservada e elevada. O fato de não haver comida e bebida no Mundo Vindouro não se deve a uma ausência de corpos e vida física, mas ao fato de que neste mundo futuro, a alma será nutrida pelo próprio corpo, e a simbiose de matéria e espírito que é o homem não exigirá quaisquer fontes externas de nutrição para sustentá-lo.

3) Tanto o físico como o espiritual são criações de D’us. Ambos foram criados por Ele a partir do nada total, e cada qual tem a marca de seu Criador nas qualidades específicas que o definem. O espiritual, com sua transcendência de tempo e espaço, reflete a infinitude e sublimidade de D’us. O espiritual é também naturalmente submisso, prontamente reconhecendo sua subserviência a uma verdade mais elevada. São estas as qualidades que fazem o sagrado espiritual e um veículo de relacionamento com D’us. O físico, por outro lado, é tactual, egocêntrico e imanente – qualidades que o classificam de mundano, que o marcam como uma ofuscação, em vez de uma revelação, da verdade Divina. Pois o inequívoco Eu sou do físico desmente a verdade que não há ninguém mais além d'Ele – de que D’us é a única fonte e fim de toda a existência. Em última análise, porém, tudo vem de D’us; todo aspecto de Sua criação tem sua fonte n'Ele e serve para revelar Sua verdade. Portanto, num nível mais profundo, as qualidades que tornam o físico profano são as qualidades que o fazem mais Divino. Pois o que é o Eu sou do físico, se não um eco do inequívoco ser de D’us? O que é a tactilidade do físico se não uma intimação do absolutismo de Sua realidade? O que é a abnegação do físico se não uma demonstração da exclusividade de Não há ninguém mais além d'Ele? Atualmente, o mundo físico nos mostra apenas sua face mais superficial, na qual as características Divinas estampadas nela são corrompidas como uma ocultação da Divindade. Atualmente, quando o objeto físico nos transmite "Eu sou" não transmite a realidade de D’us, mas uma existência independente que desafia a Divina verdade. Porém no Mundo Vindouro, o produto do trabalho de uma centena de gerações para santificar o mundo material rumo a um fim Divino, a verdadeira face do físico, virá à luz. No Mundo Vindouro, o físico, em muitos respeitos, superará o espiritual como transmissor da Divindade. Pois enquanto o espiritual expressa várias características Divinas, o físico expressa o ser de D’us. 

Hoje em dia, o corpo deve olhar para a alma como seu guia moral, como sua fonte de consciência e avaliação de tudo que é Divino.

Mas no Mundo Vindouro, a alma será nutrida pelo corpo. O corpo físico será uma fonte de identificação mais elevada que a própria visão espiritual da alma. Yom Kipur é um sabor do mundo futuro de biologia ao contrário. Assim, é um dia no qual somos sustentados pela fome, derivando nosso sustento do próprio corpo. No mais sagrado dos dias, o corpo torna-se uma fonte de vida e nutrição, em vez de seu recipiente.

4) Datas para lembrar – O dia de hoje na História Judaica - Domingo, 09 de Setembro, 29 de Elul 5778 - Véspera do primeiro dia de Rosh Hashaná - Nascimento do Tsemach Tsedec - O 3° Rebe de Chabad, Rabi Menachem Mendel Schneersohn de Lubavitch (1789-1866) nasceu a 29 de Elul. Rabi Menachem Mendel assumiu a liderança de Chabad em 1827, por ocasião do falecimento de seu sogro e tio, Rabi Dovber de Lubavitch. Extremamente ativo nos assuntos comunitários estabeleceu e fundou colônias agrícolas judaicas que forneciam o sustento para milhares de famílias. Manteve-se também na frente de batalha contra o “Movimento do Iluminismo” que, com o apoio do regime czarista, procurava destruir a vida judaica tradicional – uma batalha que lhe granjeou nada menos que 22 encarceramentos. No decorrer de sua vida, Rabi Menachem Mendel escreveu 48.000 páginas de ensinamentos hassídicos e exegese haláchica. É conhecido como o “Tsêmach Tsêdec” (“poço de integridade”) pela sua obra de responsa haláchica do mesmo nome. Leis e Costumes: 

Selichot - A série de preces Selichot (súplicas) recitada em preparação para os Dias de reverência de Rosh Hashaná e Yom Kipur começa neste sábado à noite, após a meia-noite (segundo o costume ashkenazita; a comunidade sefaradita começa a 1º de Elul). Nos dias subseqüentes, o costume é recitar as Selichot nas primeiras horas da manhã, antes das preces matinais. Hoje não há Shofar - O shofar não é tocado no dia anterior a Rosh Hashana para separar entre os toques de shofar do mês de Elul (que são um minhag, ou costume), e os toques de Rosh Hashaná, que são uma mitsvá biblicamente ordenada. Anulação de Votos - Após os serviços matinais, Hatarat Nedarim, a anulação de votos, é realizada (o texto para este procedimento é encontrado na maioria dos livros de orações). Visitar o Cemitério - É costume visitar os túmulos dos justos e parentes neste dia e rezar ali, pois o local de repouso de uma pessoa justa é um local oportuno para implorar ao Todo Poderoso.

5) Véspera de Rosh Hashaná - Hoje é o último dia do ano judaico, um dia de preparação para Rosh Hashaná (Cabeça do Ano), que começa nesta noite. Selichot são recitadas antes das preces matinais. O shofar não é tocado na véspera de Rosh Hashaná, para separar entre os toques do shofar do mês de Elul (que são um minhag, ou “costume”) e os toques de Rosh Hashaná (que são uma mitsvá, um mandamento Divino). Após os serviços matinais, é feito Hatarat Nedarim, a anulação das promessas. Costuma-se rezar nos túmulos dos justos neste dia. Observâncias de Elul - Elul é tradicionalmente uma época de introspecção e inventário – um tempo para rever as próprias ações e o progresso espiritual no ano que passou, e de preparar-se para os “Dias de Reverência” de Rosh Hashaná e Yom Kipur. Sendo o mês do Perdão e da Misericórdia Divina, este é um tempo oportuno para teshuvá (retornar a D’us), prece e caridade na busca pelo auto-refinamento e para se aproximar mais de D’us. O mestre chassídico Rabi Shneur Zalman de Liadi compara Elul a um tempo em que “o rei está no campo” e, em contraste com o tempo em que ele está no palácio real, “todos que assim quiserem podem conhecê-lo, e ele recebe a todos com um semblante amigável e mostra a todos uma face sorridente.” Os costumes de Elul: incluem o toque diário do shofar (chifre de carneiro) como um chamado ao arrependimento. O Báal Shem Tov (fundador do Hassidismo) instituiu o costume de recitar três capítulos adicionais de Tehilim (Salmos) a cada dia, de 1º de Elul até Yom Kipur (costume em muitas comunidades em Yom Kipur os restantes 36 capítulos são recitados, completando assim o livro inteiro de Tehilim).

6) Segunda´feira, 10 de Setembro, 01 de Tishrei, 5779, Rosh Hashaná - Adão e Eva são criados (3760 AEC) - Em 1º de Tishrei – o 6° dia da Criação – D'us disse: Façamos o homem à Nossa imagem, à nossa semelhança; e que ele tenha domínio sobre os peixes do mar, as aves do ar, e sobre o rebanho, e sobre toda a terra… (Bereshit 1:26). D'us formou o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o sopro da vida; e o homem se tornou uma alma vivente (ibid. 2:7). E D'us pegou o homem e colocou-o no Jardim do Éden, para cuidar dele e mantê-lo  (2:15). E D'us disse: Não é bom que o homem esteja sozinho; farei para ele uma companheira oposta a ele. D'us fez o homem cair num profundo sono, e ele dormiu; e Ele tirou um dos seus lados, e fechou a carne no lugar. E D'us transformou o lado que Ele tinha tirado do homem em uma mulher, e a levou ao homem. E o homem disse: Esta é agora osso dos meus ossos, carne da minha carne; ela será chamada Mulher, porque foi tirada do homem. Portanto, um homem deixa seu pai e sua mãe, e se apega à sua mulher; e eles se tornam uma só carne (2:18-24). Primeiro Pecado e Arrependimento (3760 AEC) - No mesmo dia em que foi criado, o homem cometeu o primeiro pecado da História, transgredindo o mandamento

Divino de não comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Adam e Eva foram banidos do Jardim, e a humanidade ficou sujeita à morte, trabalho e confusão moral. Porém naquele dia o primeiro homem e a primeira mulher também se arrependeram do pecado, introduzindo o conceito e a oportunidade de teshuvá (retorno) na experiência humana.

7) A 3ª missão da pomba (2105 AEC) - No 1º dia de Tishrei, no 307º dia do Dilúvio, Nôach despachou uma pomba da arca pela terceira vez. Quando a pomba não voltou, Nôach/Noê soube que as águas do Dilúvio tinham baixado completamente. Naquele dia, Nôach retirou o teto da arca; porém Nôach e sua família, e todos os animais, permaneceram na arca por mais 57 dias – até 27 de Cheshvan – quando a superfície da terra estava completamente seca e D'us ordenou a eles que deixassem a arca e se restabelecessem, para repovoar a terra. Sacrifício de Yitschac/Isaac; morte de Sarah - Supremo teste de fé para Avraham – a amarração de Yitschac em preparação ao sacrifício que D'us tinha ordenado – ocorreu em 1º de Tishrei do ano 2084 (1677 AEC), e é recordado em todo Rosh Hashaná com o toque do shofar (chifre de carneiro – um carneiro foi sacrificado no lugar de Yitschac quando um anjo revelou que a ordem de sacrificar Yitschac era apenas um teste Divino); a narrativa do evento na Torá é lida publicamente na sinagoga no 2º dia de Rosh Hashaná. No dia da amarração de Yitschac, sua mãe, Sarah, faleceu aos 127 anos, e foi enterrada na Gruta de Machpelá em Hebron. Báal Shem Tov tem uma visão de Mashiach (1746) - Numa carta ao seu cunhado, Rabi Gershon Kitover, o Báal Shem Tov relata: Em Rosh Hashaná de 5507 eu fiz uma subida da alma da maneira que você conhece… Subi nível após nível até que cheguei à câmara de Mashiach… E perguntei a Mashiach: Quando o Mestre virá? E ele respondeu: Quando teus ensinamentos forem disseminados e revelados ao mundo, e teus mananciais brotarem… (Keter Shem Tov 1:1). Daf Yomi - Daf Yomi, regime de estudo diário do Talmud (no qual o participante estuda uma folha ao dia para completar todo o Talmud em 7 anos), iniciado por Rabi Meir Shapiro de Lublin, foi lançado em Rosh Hashaná em 1923.

8) Leis e Costumes: Bom Ano Novo - Na 1° noite de Rosh Hashaná, desejamos uns aos outros ”Leshana Tovah Tekatev Vitechatem – Que você seja inscrito e selado para um ano bom. Maçã e mel - Na refeição da noite, comemos maçã mergulhada em mel, a cabeça de um peixe, romãs, tzimmes (cenouras doces) e outros alimentos que significam um ano doce e bem-sucedido. Shofar - No decorrer da manhã e do serviço Mussaf, o shofar é tocado cem vezes, em varisa combinações de tekiah (um toque longo), shevarim (um trio de soluços interrompidos) e teruah (um stacatto de notas curtas), em cumprimento da mitsvá fundamental de Rosh Hashaná. O shofar serve para trombetear nossa coroação de D'us como Rei do Universo, como um chamado ao arrependimento e para evocar a lembrança da Amarração de Yitschac. Tashlich - Durante a tarde, o serviço de prece Tashlich, no qual pedimos a D'us para “jogar os nossos pecados nas profundezas do mar” é recitado à beira de um corpo de água (mar, rio, lago, etc.) contendo peixes. Dez Dias de Arrependimento - começando em Rosh Hashaná e terminando em Yom Kipur é conhecido como "Os Dez Dias de Arrependimento este é o período, dizem os sábios do Talmud, sobre o qual o profeta fala quando proclama (Yeshayáhu 55:6): Busca a D'us quando Ele deve ser encontrado; chama-O quando Ele está próximo. O Salmo 130, Avinu Malkeinu e outras inserções e adições especiais são incluídas em nossas preces diárias durante estes dias.

9) Terca-feira, 11 de Setembro, 02 de Tishrei, Leis e Costumes: Shehecheyanu (Novos frutos) - o acender velas e fazer kidush na véspera do 2º dia de Rosh Hashaná, uma nova fruta (i.e., uma que não tenha ainda sido comida nesta estação) é colocada sobre a mesa; a fruta é então comida após o kidush. Isso é para nos deixar aptos a fazer a bênção Shehecheyanu, louvando a D'us por nos conceder a vida, nos sustentar e nos trazer a esta estação (como os 2 dias de Rosh Hashaná são considerados como um longo dia, a bênção Shehecheyanu, recitada nas festas pelas mulheres quando acendem as velas e pelos homens no kidush, exige uma fonte adicional de júbilo). Shofar – Como fizemos ontem no 1º dia de Rosh Hashaná, novamente tocamos o shofar 100 vezes, em várias combinações de tekiah (um toque longo), shevarim, (3 soluços interrompidos) e teruah (um stacato de notas breves), em cumprimento da mitsvá fundamental de Rosh Hashaná. O shofar serve para anunciar nossa coroação de D'us como Rei do Universo, como um chamado ao arrependimento e para evocar a lembrança do sacrifício de Yitschac. Como já fizemos a bênção Shehecheyanu no toque do shofar de ontem, aquele que toca o shofar deve vestir uma roupa nova. 

Dez Dias de Arrependimento - O período de 10 dias começando em Rosh Hashaná e terminando em Yom Kipur é conhecido como "Os Dez Dias de Arrependimento"; este é o período, dizem os sábios do Talmud, sobre o qual o profeta fala quando proclama (Yeshayáhu/Isaias 55:6): Busca a D'us quando Ele deve ser encontrado; chama-O quando Ele está próximo. O Salmo 130, Avinu Malkeinu e outras inserções e adições especiais são incluídas em nossas preces diárias durante estes dias.

10) Quarta-feira, 12 de Setembro, 03 de Tishrei, Assassinato de Guedalyá (423 AEC) - 3 de Tishrei é dia de jejum pranteando o assassinato de Guedalyá ben Achikan, governador da Terra de Israel por um breve período após a destruição do Primeiro Templo. O assassinato de Guedalyá significou o fim da pequena comunidade judaica remanescente na Terra Santa após a destruição, que fugiu para o Egito. (seu assassinato na verdade ocorreu a 2 de Tishrei, mas a comemoração do evento é adiada para o dia seguinte, devido à celebração de Rosh Hashaná).

Leis e Costumes: Jejum de Guedalyá - Lamentando o assassinato de Guedalyá, abstemo-nos de comida e bebida da alvorada ao cair da noite; preces selichot são incluídas na prece matinal. Dez Dias de Arrependimento. Quinta-feira, 13 de Setembro, 04 de Tishrei, Rabi Akiva foi martirizado - O grande sábio talmúdico, Rabi Akiva, foi capturado pelos Romanos a 5 de Tishrei do ano 3894 (134 AEC). Sua subseqüente tortura e execução é relembrada no tocante poema Eleh Ezkarah do serviço de Yom Kipur. Sexta-feira, 14 de Setembro, 05 de Tishrei Acendimento das velas de Shabat 20 minutos antes do por do sol, Petrópolis/RJ - 17h26 - Término de Shabat, sábado 15 de Setembro as 18h20.

11) Sabado, 15 de Setembro, 06 de Tishrei, Leis e Costumes: Leitura da Torá – Perashá Vayêlech (Devarim/Deuteronômio 31:1-30); Leitura dos Profetas – Oséias 14: 2-10; Miquéias 7:18. Oséias 14: 2. Volta, ó Israel, ao Senhor teu D’us, para você ter tropeçado na sua iniqüidade. 10. Quem é sábio e vai entender isso, perspicaz e vai conhecê-los, porque os caminhos do Senhor são retos, e os justos andarão neles, e os rebeldes tropeçarão neles. Miquéias 7:18- 20. 18. Quem é D-us semelhante a ti, que perdoa a iniqüidade e passa sobre a transgressão do resto da tua herança? Ele não mantém Sua ira para sempre, porque Ele deseja bondade. 19. Ele voltará e concede-nos compaixão; Ele deve esconder as nossas iniqüidades, e Você deverá lançar nas profundezas do mar todos os seus pecados. 20. Você deve dar a verdade de Jacob, a bondade de Abraão, que Você jurou aos nossos antepassados ​​desde os dias da antiguidade.

Domingo, 16 de setembro, 07 de Tishrei, Leis e Costumes: Dez Dias de Arrependimento. Shana tova tikatevu - que sejamos todos inscritos no Livro da Vida!! Shabat Shalom!

Coordenador: Saul S. Gefter - 05 de Tishrei de 5779-14e setembro de 2018
Spa Serra Morena