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De vítima à especialista: engenheira da CPTrans escolheu a profissão para evitar que mais pessoas sofram acidentes
14/05/2017 - 09:31 - Há pouco mais de 20 anos, a jovem Izamari Machado, à época com 21 anos de idade, voltava de um feriadão quando, durante uma ultrapassagem em um local proibido, o veículo em que ela estava se chocou de frente com outro carro, que vinha na direção contrária. O acidente acarretou em seis vítimas, quatro delas ficaram em estado grave. Iza perfurou o pé, sofreu diversos cortes no rosto e convive com as marcas da imprudência no rosto: duas cicatrizes, uma na sobrancelha e outra na boca. Da experiência trágica, a vontade de fazer algo sobre o assunto fez com que a jovem mudasse sua vida para sempre.
 
Hoje, mestre em engenharia de transportes, formada pela UFRJ, Iza trabalha na Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) realizando projetos para impedir que situações de imprudência vitimem outras pessoas. Iza e funcionários da CPTrans estão envolvidos na campanha Maio Amarelo, de prevenção a acidentes. Um dos destaques da programação, além da caminhada que encerra as ações, programada para o dia 27 de maio, será a simulação do Corpo de Bombeiros, programada para às 9h, no dia 17, no entorno da Praça da Liberdade, palestra de mecânica voltada para as mulheres e de pilotagem defensiva para os motociclistas, além de palestras educativas sobre o tema para escolas e empresas.
 
 
 A história de Iza foi compartilhada por ela em uma rede social em um depoimento comovente. No mês de combate à violência no trânsito, a engenheira quis contribuir com o relato para agradecer a todos os profissionais de trânsito e transportes e todas aqueles envolvidos no Maio Amarelo. Iza teve outra chance de mudar seu destino. O carro em que estava ficou completamente destruído. O motorista do veículo, um amigo, teve ferimentos gravíssimos, ficou três meses internado e precisou fazer diversas cirurgias para reconstrução do fêmur e do maxilar. No banco de trás Iza admite que não usava o cinto de segurança – naquela época sequer era exigido o dispositivo no banco traseiro.
 
“O acidente ocorreu em 21 de abril de 1997, cinco meses antes de ser promulgado pelo Congresso Nacional a lei que criou o Código de Trânsito Brasileiro. Era o final de um feriadão e estávamos no trecho entre Bicas e São João Nepomuceno. Sofremos um acidente, causado por imperícia e imprudência, a ultrapassagem em local proibido, em uma rodovia estadual. Batemos de frente com o outro carro e, felizmente, sobrevivi sem sequelas. Por conta das ironias do destino acabei indo para essa área. Hoje, na CPTrans, lido diariamente com estatísticas de acidentes de trânsito e percebo que as pessoas pouco ligam para as tragédias alheias e muito pouco aprende com elas. Na companhia eu faço projetos priorizando sempre a segurança das pessoas para evitar que casos como o que passei se repitam. Acredito que somente com educação podemos mudar o quadro de perdas de vidas por conta de acidentes de trânsito”, explica Iza.
 
Acidente na infância também foi decisivo para escolha da profissão diretor técnico operacional da companhia
 
A engenheira de trânsito não foi a única a escolher a profissão por conta de um desastre no trânsito. O atual diretor técnico operacional da Companhia, Luciano Moreira também sofreu um grave acidente, em 1997, aos 14 anos de idade. Ele estava no banco de carona com seu pai ao volante e o irmão e dois primos nos bancos traseiros do carro. Na volta para casa, no início da tarde, seu pai adormeceu e colidiu com o carro em uma placa na altura do Belvedere, na BR-040. O veículo, Chevrolet Ipanema, teve perda total. A placa ficou intacta. Luciano, o único que usava o cinto de segurança na hora do acidente, carrega a cicatriz em forma de faixa no peito até hoje.
 
“Eu era o único que estava com o dispositivo de segurança e tenho certeza que se não o usasse teria voado para fora do carro e não estaria aqui para contar essa história. Meu primo botou um pino no braço, teve fratura exposta, meu pai quebrou três costelas, ficou no CTI, mas graças a Deus todos sobrevivemos sem sequela. Na época não foi fácil, foi uma situação chata, mas esse acidente, sem dúvida, foi determinante para a escolha do que queria fazer anos mais tarde”, conta Luciano Moreira.
 
Formado em engenharia com especialização em engenharia de tráfego, Luciano hoje comanda as ações do trânsito realizadas em Petrópolis. Sua obrigação legal, no entanto, é sempre lembrada diante da experiência traumática. “Como você vê alguém sem cinto de segurança e não faz nada? Não existe isso! Além de minha obrigação remete ao que passei, a uma situação que sobrevivi graças aquele dispositivo. Então, hoje eu busco sempre fazer as ações visando, principalmente, a vida das pessoas. Se uma ação que fizermos a frente dessa companhia salvar pessoa sequer, sei que terei cumprido a minha missão”, contou.
 
Luciano e Iza são apenas dois dos funcionários que sofreram acidentes que trabalham na CPTrans e buscam diminuir as estatísticas alarmantes que assombram não só no município, mas em todo o país e o mundo. Só em Petrópolis, no primeiro quadrimestre deste ano o Hospital Santa Teresa, referência em trauma, realizou 345 atendimentos às vítimas de acidentes de trânsito. No passado foram registrados 1.797 acidentes ao longo do ano com 1.521 vítimas.
 
“Temos uma equipe que trabalha para mudar esse cenário. Pessoas que além do conhecimento técnico tem a paixão necessária para fazer a diferença para o trânsito da nossa cidade. E eles não são os únicos, o Luciano e a Iza são só dois de tantos outros que buscam fazer a diferença. Acreditamos que esse seja um dos diferenciais da nossa equipe, pessoas que já passaram por situações como estas e que já sentiram na pele o sofrimento de quase terem perdido suas vidas. Tenho orgulho de fazer parte disso e contribuir que Petrópolis mude esta realidade”, avalia o diretor-presidente da CPTrans, Maurinho Branco.

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