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Desvendando a memória da Encantada de Santos-Dumont

Uma Casa Muito Encantada conta a história da relação do inventor com a cidade serrana

 


Livro conta a história da construção do chalé do aviador em Petrópolis e sua relação com a cidade
 
Brasil, 1918. Depois de desfrutar o verão em Petrópolis, a 60 quilômetros do escaldante Rio de Janeiro, Alberto Santos-Dumont construiu na cidade serrana um chalé aconchegante e original, emoldurado pelo verde da Mata Atlântica, e deu à sua criação o nome de Encantada. Nas temporadas nesse refúgio, longe da agitação do Rio, São Paulo e Paris, o inventor saía para jogar tênis, encontrar amigos e andar pelas ruas, estabelecendo uma relação afetiva com a cidade que duraria até sua morte, em julho de 1932.

 Em busca da memória dessa convivência do veranista ilustre com Petrópolis, o jornalista Francisco Luiz Noel e a historiadora Patrícia Souza Lima mergulharam em pesquisas no fim de 2009. O resultado é Uma Casa Muito Encantada – A invenção arquitetônica de Santos-Dumont (Escrita Fina, 144 páginas, R$ 48). O livro, com criação gráfica do designer Paulo Cesar Dias, fotos de Alaor Filho e muitas ilustrações de época, foi patrocinado pela empresa GE Celma, com incentivo fiscal da Lei Rouanet.

A Encantada, transformada no Museu Casa de Santos-Dumont em 1956, recebe mais de 100 mil visitantes por ano. Chalé de estilo europeu na Rua do Encanto, 22, Centro, sob a guarda da Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis, a casa é prova viva da inventividade do antigo morador.

A começar pela escada, com degraus em forma de raquete, para economia de espaço. Na sala, móveis embutidos nas paredes são destaque, além de objetos pessoais. No mezanino, uma cômoda que servia de cama dá ideia de como dormia o inventor. O banheiro conserva o chuveiro a gás projetado por ele – uma novidade num tempo em que a água era aquecida a lenha.

Reportagem histórica

 Apesar da vasta bibliografia nacional sobre a vida e a obra de Santos-Dumont, é a primeira vez que a história da Encantada e da relação do inventor com a cidade ganha forma de livro. Além de reunir informações e imagens dispersas em biografias, jornais, correspondências e documentos de acervos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, a obra passa a limpo mistificações cultivadas em torno da história da casa e do inventor e apresenta revelações sobre a construção e a trajetória do imóvel após a morte de seu morador.

 O ponto de partida da pesquisa foram as cartas, documentos, recortes e fotografias conservados pelo Museu Casa de Santos-Dumont. Dos guardados da casa, os autores partiram para os arquivos históricos da Biblioteca Central Municipal Gabriela Mistral, Museu Imperial e Companhia Imobiliária de Petrópolis. Vasculharam também acervos da Biblioteca Nacional e outras instituições cariocas, do Museu Casa de Cabangu, em Santos Dumont (MG), terra natal do inventor, e do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP).

 “Procuramos reconstituir a memória da Encantada e trabalhar dados que estabelecem uma relação entre o aviador e a cidade, ao associar fragmentos da memória da cidade com a biografia de Santos-Dumont. Acreditamos que, nesse sentido, o livro preenche uma lacuna existente entre as muitas publicações escritas desde os anos 1930 sobre Santos-Dumont”, diz Patrícia Souza Lima. De fato, a Encantada é a personagem principal da obra, sem que esse protagonismo ofusque a importância histórica do antigo morador.

 A parceria do jornalismo com a história não teve em mira produzir uma nova biografia de Alberto Santos-Dumont, destaca Francisco Luiz Noel. “Fizemos uma reportagem histórica, em que procuramos mostrar o significado afetivo da casa para seu proprietário e o que ela passou a representar para Petrópolis depois da morte do inventor”, assinala. A pesquisa, conta o jornalista, conduziu a uma surpreendente quantidade de informações sobre a Encantada e as temporadas do inventor na cidade.

Memórias e revelações
 
A narrativa inédita de episódios que envolvem a Encantada começa nas passagens sobre a construção, idealizada pelo inventor e projetada em conjunto pelo engenheiro Eduardo Pederneiras e o arquiteto Armando Telles, nomes que se projetariam na engenharia e na arquitetura do país. Fazendo jus a quem pegou no pesado, o livro apresenta o empreiteiro Francisco Gomes e seus operários, que tiravam do papel as obras que Pederneiras contratava na Petrópolis dos anos 1920.

 Outro achado foi relatado aos autores, de viva voz, por descendentes da governanta de Santos-Dumont, Eulália de Avellar Rezende: a ocupação temporária da casa pela família de um dos filhos da empregada, depois da morte do dono, em 1932, e o nascimento de um bebê em plena sala, transformada em quitinete pelo casal e a filharada. Inédita é também uma fotografia da Praça Dom Pedro, no coração de Petrópolis, feita pelo inventor em suas andanças pela cidade e conservada no Museu Paulista, no bairro paulistano do Ipiranga.

A seleção de material cobre um período que começa em 1914 – ano da segunda visita de Santos-Dumont a Petrópolis, que o acolheu como celebridade – e se estende ao presente. Na narrativa do processo de idealização e construção da Encantada, quatro anos depois do desembarque triunfal do inventor na cidade, os autores destacam detalhes que desnudam um pouco da personalidade criativa e obstinada do morador. Em seguida, recordam as façanhas do brasileiro voador e se detêm nos tempos em que ele passava temporadas na casa, até que o agravamento de seus problemas psíquicos e emocionais o levaram ao suicídio, em 1932.

SERVIÇO:
Uma Casa Muito Encantada – A invenção arquitetônica de Santos Dumont
De Francisco Luiz Noel e Patrícia Souza Lima, com fotografias de Alaor Filho e projeto gráfico de Paulo Cesar Dias. Escrita Fina, 144 páginas, R$ 48

Contato: Verônica Soares, (24) 9816-7130 | veronica@escritafina.com.br

Livro sobre a Casa de Santos-Dumont lançado em Petrópolis
Foto: Autores, Francisco Luiz Noel e Patrícia Souza Lima
Crédito: Alaro Filho / Divulgação

Um presente dos Autores para os visitantes do Netpetropolis


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