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Conversando com Tê - Entre Nessa Festa

“Filhos, por que tê-los? Mas se não tê-los, como sabê-los? 
Vinícius de Moraes

Nesse domingo, quero compartilhar com você que me lê a deliciosa sensação que me faz sentir que o chão que piso é macio algodão; que felicidade é o pedaço que me cabe de fato e de direito neste latifúndio humano. Maravilhosa sensação que é capaz de fazer com que eu crie asas, tornando possível o impossível e transformando sonho em realidade.

Essa sensação que é qual fogo que arde devastadoramente me envolvendo de luz, beleza e magia; que é a abóbora que vira carruagem; que é a borralheira que se transforma em Cinderela; que é a fera que em metamorfose se torna a mais bela. É o olhar extasiado diante de uma gravura quixotesca de Portinari. É ternura que transborda e que transcende a metafísica.

O motivo de tudo isso? O Dia das Mães. Tê ficou maluca, pensa você? Não importa. O que importa mesmo é que eu estou feliz apesar desse difícil parto que é conceber um ser – humano – no e para o mundo. E estar feliz é doce carícia que me arrepia a pele, que me faz sorrir à toa; é a paz do dever cumprido; é o rir a qualquer hora sem que se tenha contado alguma piada engraçada; é o esboçar de um sorriso a uma simples lembrança boa.

Felicidade é o peito que se enche de amor, de tanto amor, ao ver em cada rosto filial a continuação da vida com todas as possibilidades da existência da eternidade – o que me conforta e me transporta à segurança de me saber bem-querida; mais que felicidade, passa a ser divino, porque só o dedo de Deus é capaz de tocar com tal grandeza o coração e o ventre da gente.

Luzes, câmera, ação e de repente, em casa, vozes, corpos quentes, sorrisos largos, abraços acalorados e na face o rubor da felicidade. É muito bom sentir. Experimentar. Banhar-se toda no prazer dessa festa. É muito bom corresponder e ser correspondida. A vida? Devia ser uma via de mães múltiplas. Sei que nem sempre o é, mas quando acontece, chega a ser orgásmico.

Luzes, câmera, ação e em casa, olhos que brilham são estrelas que cintilam em meio aos dias de inverno. Melhor do que isso é me saber ainda capaz de apaixonar-me todo dia pelas mesmas pessoas, encontrando novos matizes e outros motivos para dar sentido às vidas concebidas.  Às vezes, sei que bate saudade pelas que se ausentaram antes de mim.

Essas maravilhosas pessoas, acredito, continuam vivas através desses seres que, maravilhada, pari e que, num gesto de sutil generosidade, me presenteiam com a benção de terem parido outros serezinhos que chegaram (dizem que ser avó, é ser mãe duas vezes – que delicioso exagero!), trazendo toda a recompensa para esse amor imenso e sem fim que vive dentro de mim.

Que todos os dias sejam dias de mães e sempre com as bençãos de Deus!

Tê Barbosa
09/05/2010

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