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Conversando com Tê - Hoje Acordei Saudosista


Por Tê Barbosa - 01/03/09 

· "Duvidar de tudo ou crer em tudo. 
· São duas soluções igualmente cômodas que nos dispensam, ambas, de refletir." 
· Henri Poincare

Quando eu tinha doze anos, e lá se vão alguns – muitos - bons e maus janeiros vividos, qualquer jovem na minha idade nem imaginava fazer quarenta, o que se diria sequer pensar em ver o ano 2000 chegar. E mais oito anos se passaram tão depressa que não deu tempo da gente se preparar pra perceber onde foi que o galo começou a cantar.

De lá pra cá, viraram “álbum de retrato” as festas de 15 anos que no meu tempo se usava com direito a vestido de brocado, bolo branco enfeitado com rosas de açúcar, valsa e iê-iê-iê. As provas de vestibular, o primeiro amor, os sonhos desfeitos, os ditos e feitos, a primeira vez, o primeiro emprego, os caminhos tortos, os recuos e os desvios da estrada, no cotidiano da vida de todos nós.

Seguindo a canção, ou melhor, o refrão: “viver e não ter a vergonha de ser feliz”. Quantas lembranças. Quanta história pra contar. A primeira casa a dois, o quarto bem-bolado, os suspiros apaixonados – “meu marido é o máximo”; os filhos – gracinhas – fraldas, cocô, xixi e papinhas, a primeira rusga, cada um pro seu lado - separação, ou então, bodas de ouro para uns poucos privilegiados e abençoados pela compreensão. Que seja! Apesar de tudo consegui ser avó.

Entre lágrimas e dores, risos e flores, nós continuamos seguindo, apressados: trabalho, casa, salário apertado, juros bancários e sempre a procura da tal da felicidade. Amizades? Muitas, mas poucas de verdade. Paciência, coisas da vida. E sigamos em frente. A idade? Às vezes esquecida, às vezes lembrada quando o que pensamos possível, acaba não dando em nada.

Mas continuamos, ao sabor de todos os ventos, acreditando no possível e fazendo das tripas coração para afastar os maus espíritos, as invejas, as feitiçarias – creio em Deus Pai – e tornando o impossível em realidade tangível como o estar sempre maravilhosa após uma noite mal dormida ou mal amada, a vacina vencida do gatinho, o vizinho chato de cima, a despensa vazia, o carro que enguiça, a geladeira que pifa, o leite que entorna, a empregada que falta, as reuniões na escola, o filho que chora...

E ainda por cima, computadores, satélites, microsoft, hardware – é duro! – tem hora que a barra pesa, quando o que a gente quer, é apenas ouvir Tom Jobim ou se deleitar com a poesia do Vinícius. Deixe estar, vou rogar uma praga, a próxima pisada na Lua deixará a marca, em vez de plataforma metálica, de salto alto tipo agulha enfeitado de strass; em vez de macacão, um pretinho básico, sem futilidade, mas com muito charme. Aí, até São Jorge vai depor as armas, o dragão vai ficar frio e hastear a bandeira da paz e, quem sabe, vai se ter um pouco mais de sossego.

Voltando a vaca fria, são tantas as exigências: mãe vem me limpar; meu bem traz uma cervejinha. Tem que pagar o aluguel; já venceu a prestação; cadê tostão? Televisão? Só depois de acabar a lição e agora, acrescentei à lista os deliciosos – Te amo, vovó! Quem diz que conto da carochinha é fantasia, não sabe de nada. Isso é que é uma maravilhosa realidade.

Mas felicidade mesmo seria se não tivéssemos a preocupação de encher o filtro de água, vazio; de trocar a pilha do telefone sem fio; depilar as pernas, virilhas, axilas; sorrir quando a vontade é gritar: “socorro, quero ser homem por um dia”, no bom sentido, é claro. Melhor ainda do que essa felicidade é ser mulher, de verdade, cabeça erguida pra vida; arregaçar a manga da camisa e a despeito de tudo e de todos sentir, de fio a pavio, que ainda continuamos com vontade de dançar uma valsa como aos 15; sorrir com a imaturidade dos 20; aprender com a vivência dos 30; trabalhar com toda a experiência dos 40; assimilar a sabedoria dos outros “entas” e amar com toda a força da eternidade mesmo que o eterno seja apenas o hoje.

Mas contrariando os adeptos do holocausto, continuamos vivos e sobrevivendo a todos os embates, conflitos, combates pessoais, profissionais, familiares. O que pensávamos tão distante já bateu e entrou pela nossa porta como num piscar de olhos e, mesmo assim, a despeito de tempestades, fez valer todas as emoções vividas.

Então, viva 2009! Inove. Tenta. Inventa porque, como diz um amigo meu, no final tudo dá certo e se ainda não deu, é porque não chegou ao final. Um beijo no seu coração.

 

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