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Mosquito da Dengue é uma Ameaça a Cães?

Mosquito da dengue é uma ameaça a cães? A ARCA esclarece

Reportagem publicada em importante jornal brasileiro faz falso alerta sobre risco de doença em cães.

Na última semana, uma matéria publicada no Jornal do Brasil gerou discussões por parte dos leitores, que procuraram a ARCA Brasil para checar a veracidade da informação. O texto, republicado em alguns outros sites, discorre sobre a suposta ligação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, e a doença dirofilariose, que atinge cães e gatos.

Esta relação direta entre as duas enfermidades certamente provocaria conseqüências bastante negativas aos animais nos municípios com alto índice de infecção por dengue. Para esclarecer seus leitores, o Notícias da ARCA consultou alguns Veterinários Solidários e entrevistou a médica veterinária Cíntia dos Santos, principal fonte da reportagem do JB. A constatação é de que as informações alarmantes divulgadas pelo jornal carioca são infundadas.

Cíntia, que atua na Secretaria de Promoção e Defesa dos Animais, da prefeitura do Rio de Janeiro, afirma que as declarações que forneceu ao repórter foram muito diferentes do conteúdo publicado. “Ele me ligou dizendo que queria fazer uma matéria sobre a dengue e me perguntou sobre a relação da dirofilariose e o Aedes [aegypti], apenas por curiosidade”, afirma. Ela conta que explicou ao repórter sobre a existência de um trabalho que defende a potencialidade do mosquito Aedes de transmitir o parasita da dirofilariose. “Mas eu o alertei de que nada foi comprovado. Uma das evidências de que a ligação não é direta é o fato de, em mais de 10 anos de surtos de dengue no Rio de Janeiro, a incidência de dirofilariose não aumentou”, comenta.   

A veterinária sanitarista Vânia Nunes, da equipe de Veterinários Solidários da ARCA Brasil, concorda com a colega. “Não tenho notícias de casos de Aedes aegypti que transmita o agente patogênico da dirofilariose; não há nada na literatura que comprove isto”, afirma.

Logo no início da matéria, o repórter informa que “além de transmitir aos humanos o vírus da dengue, o mosquito é capaz de infectar os cachorros – e também gatos – com a dirofilaria, parasita que se aloja no coração e pode causar a morte”. O veterinário solidário Francis Prando explica que, de fato, a picada de um mosquito é responsável por introduzir a dirofilária na circulação sangüínea do animal, mas o profissional faz questão de ressaltar que o transmissor principal é o inseto do gênero Culex.

Vânia Nunes salienta que os mosquitos do gênero Culex e Aedes têm hábitos de vida diferentes (veja na tabela abaixo) e se reproduzem em ambientes distintos. Ela cita uma pesquisa feita na Grande Maceió e na Ilha de Santa Rita, Alagoas, em 2001, que analisou 1.519 cães. Destes, 1,3% estavam infectados por parasitas. Um deles, o causador da dirofilariose. Na região, foram apreendidos 6.579 fêmeas de mosquitos de seis espécies, sendo 93% da família Culex sp., 6,1%  Aedes sp., incluindo o Aedes aegypti e 0,9% Anopheles sp. Desse total, apenas 0,1 % portavam a larva do parasita e todos eles pertenciam ao gênero Culex. “Isso mostrou que o principal vetor da dirofilariose é o mosquito Culex e, mesmo assim, a porcentagem de animais infectados não é tão grande”, comenta Vânia.  

A ARCA Brasil acredita no potencial da imprensa e da mídia em geral como grandes divulgadoras do conhecimento. Porém, é importante não se esquecer da responsabilidade que esse papel exige, por meio da publicação de reportagens éticas e bem fundamentadas. Por isso, nos colocamos à disposição como fonte de informações em todos os assuntos que permeiem a relação entre homem e animais.


Sobre a dirofilariose

A dirofilariose é uma doença parasitária cardiopulmonar fatal para os cães e gatos. É causada pelo Dirofilaria immitis, um parasita que se aloja no coração e artérias pulmonares de animais picados por mosquitos transmissores, especialmente os do gênero Culex sp. O vetor, que funciona como hospedeiro intermediário, adquire as microfilárias (forma larval da Dirofilaria immitis) ao picar um animal infectado. As formas infectantes do verme que o mosquito transporta e transmite ao cão podem levar até 6 meses para se desenvolverem em larvas adultas. O cão pode conviver com o verme durante anos sem apresentar qualquer sinal de doença. Por se alojarem no coração e grandes vasos sanguíneos (daí o nome popular popular “verme do coração”), a dirofilária causa obstrução à passagem do sangue. O animal passa, então, a ter vários problemas como enfraquecimento do músculo cardíaco, dificuldade para respirar, tosse, cansaço, falta de ânimo, entre outros.  Porém, quando esses sintomas aparecem, a parasitose já está avançada.

Atualmente existem medicamentos eficazes que matam as microfilárias inoculadas pelos mosquitos infectados nos cães e gatos previamente tratados. Esse método é utilizado principalmente em áreas endêmicas, como as cidades litorâneas, preferidas dos mosquitos transmissores. Evitar deixar água parada e suja, além de um tratamento de esgoto adequado também são medidas importantes para conter a proliferação do mosquito.

Fonte: www.arcabrasil.org.br

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