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Violência contra Idoso: é o Reverso do Respeito a Sabedoria - Dra. Rita Cássia Ravaglia Campos
JULHO DE 2020 - Este tema é bastante complexo e delicado, pois implica em penetrar no silêncio das famílias dos idosos violentados. O cenário da agressão ou da falta de proteção se apresenta como uma mistura de sentimentos e valores que culminam na defesa do agressor. O idoso, vítima de violência, sente-se permanentemente ameaçado, sendo incapaz de se defender para garantir sua segurança e desconhece os equipamentos sociais de proteção contra estaviolência.

Isto torna-se ainda mais preocupante em função do acelerado crescimento da população de idosos e as profundas modificações na estrutura familiar onde o número de filhos está cada vez menor e as demandas familiares são crescentes, limitando a disponibilidade tanto dos pais de cuidar de seus filhos quanto dos filhos de cuidar de seus pais associado ao aumento da participação da mulher no mercado de trabalho, a valorização do individualismo e os conflitos intergeracionais num ambiente que aponta para problemas de ordem social, política e econômica, fomentando a criação e o desenvolvimento da violência.

Os idosos são vítimas dos mais diversos tipos de violência, desde insultos e agressões físicas a outros maus-tratos sofridos em transportes públicos e instituições públicas e privadas. Observa-se também a violência decorrente de políticas econômicas e sociais que aumentam ou mantêm as desigualdades socioeconômicas, ou de normas socioculturais que legitimem a violência.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os tipos mais prevalentes de violência contra idosos são: abusos físico, psicológico, sexual e financeiro, abandono, negligência e a autonegligência acrescido da fragilização do suporte familiar que deu origem a uma grande síndrome geriátrica, a insuficiência familiar, cuja abordagem é extremamente complexa e requer uma avaliação cuidadosa.

Deve-se estar atento aos indicadores de violência domiciliar, abuso e maus-tratos contra a pessoa idosafrenet a lesões corporais inexplicadas, descuido com a higiene pessoal, demora na busca de atenção médica, discordâncias entre a história do paciente e a do cuidador, internações frequentes por não adesão ao tratamento de doenças crônicas, ausência do familiar na consulta ou recusa à visita domiliciar são extremamente sugestivos de violência familiar assim como o isolamento, pois sabe-se que a capacidade de socialização e integração social é fator protetor da saúde e bem estar.

Os dados estatísticos da Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que, atualmente, 12% da população mundial possuem mais de 60 anos. No Brasil, o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2002, apontou 16 milhões de indivíduos com mais de 60 anos, representando 9,3% da população total. A violência e os acidentes constituem a sexta causa de morte em idosos no Brasil. A maioria das internações por causas externas ocorre devido a lesões ou traumas provocados por quedas e atropelamento. Porém, as violências contra os idosos são muito mais abrangentes e disseminadas no país.

A proteção só se efetiva com a garantia de direitos, e eles são bem explícitos quando dizem respeito às pessoas idosas. Há leis federais, estaduais e municipais que tratam do assunto. Os direitos fundamentais estão garantidos na Constituição para todos os cidadãos, e algumas leis se referem à condição especial da pessoa idosa. A Constituição Brasileira de 1988 deixa bem clara a relação recíproca de proteção na família:

A essência do cuidar, muitas vezes, está contida na relação de obrigação e responsabilidade pela pessoa dependente e na proximidade e intimidade que a situação envolve. Desempenhar a tarefa de cuidar pode trazer reconhecimento na relação familiar e social,. No entanto, quando essa atividade perdura por muito tempo ou o cuidado não é fundamentado em preparar-se para o desempenho, o cuidador pode se sentir sobrecarregado e desconfortável, desencadeando situações de violência.

Esta violência praticada contra o idoso é inaceitável e os fatores que corroboram para que esse fenômeno cresça, em incidência, devem ser combatidos através de políticas públicas eficientes que visem a desconstruir esse processo no seio da sociedade. Há que se avançar na compreensão desse fenômeno que desafia a ciência. Sugere-se também que os serviços de atendimento à população idosa sejam rigorosamente supervisionados pelos Conselhos do Idoso e Ministério Público a fim de que as entidades governamentais e não-governamentais possam ser responsabilizadas, caso os procedimentos realizados nas mesmas não estejam em consonância com as legislações federais, estaduais e municipais direcionadas ao atendimento do idoso.

Propõe-se que a velhice seja vista como uma relação biopsicossocial, que envolve as trajetórias individuais, familiares, sociais e culturais ao longo da vida, num contínuo de normas e papéis em que a sabedoria suplementaria a gestão de perdas, criando condições para o exercício da autonomia/dependência e realização de projetos pessoais...

Rita Cássia Raváglia Campos
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