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Do Mato ao Prato a nova Publicação do Fórum Itaboraí
Fórum Itaboraí-Fiocruz/Petrópolis lança publicação sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais, incluindo Receitas Culinárias.

03/07/2019 - 23:00 - Já está disponível para consulta e download gratuito (www.forumitaborai.fiocruz.br) a nova publicação do Fórum Itaboraí: Política, Ciência e Cultura na Saúde, unidade da Fiocruz em Petrópolis. O “Manual de Plantas Alimentícias não Convencionais - PANC” reúne informações científicas, técnicas e nutricionais de 21 espécies de PANC, plantas comestíveis encontradas em Petrópolis e na Região Serrana do Rio de Janeiro. A matéria também traz curiosidades, termos culinários, dicas de como higienizar os vegetais, receitas e fotos, tanto das plantas em seus hábitats naturais, como delas no prato.

Segundo o Diretor do Fórum Itaboraí, Felix Rosenberg, esta publicação tem o propósito de disseminar conhecimentos relacionados ao plantio e ao consumo dessas
plantas, que hoje estão sendo redescobertas e exploradas em novas opções de cardápios e valorizadas no seu uso e valores nutricionais. “No Brasil, em seus diferentes biomas, temos uma biodiversidade magnífica, que pode ser melhor explorada contribuindo para a complementação alimentar, para a diversificação dos cardápios e redução dos custos dos alimentos, na busca de uma alimentação cada vez mais saudável e mais acessível. Com o tempo, a produção familiar do seu próprio alimento sucumbiu à produção de mercado e fomos nos esquecendo destas plantas que dão espontaneamente e das quais podemos nos nutrir”, explica Rosenberg. “Sem contar que o patrimônio culinário expresso nos pratos, nas receitas tradicionais, faz parte da memória afetiva, do registro, da transmissão oral de nossa herança cultural.

Então, acreditamos que nos ambientes urbanos é possível cultivar pequenas hortas e canteiros com PANC e conciliar os hábitos contemporâneos às nossas origens, resgatando nossa história alimentar, contribuindo com conservação da sociobiodiversidade e obtendo alimentos diversificados, saudáveis, de menor custo e surpreendendo com novas cores e sabores”, conclui o Diretor.

Sobre as PANC

O termo PANC, atribuído a Plantas Alimentícias Não Convencionais, foi cunhado e começou a ser usado e divulgado em 2008 pelo Biólogo e Professor do Instituto Federal do Amazonas, Valdely Ferreira Kinupp. Refere-se a todas as plantas que possuem uma ou mais partes comestíveis, sendo elas espontâneas ou cultivadas,
nativas ou exóticas que não estão incluídas em nosso cardápio cotidiano. Por esta razão, uma mesma planta pode ser considerada convencional em uma região, porém não convencional em outra. E caso seu uso seja resgatado ou propagado, tal planta pode vir a ser convencional, passando a ser reconhecida, produzida, comercializada, fazendo parte do dia a dia alimentar de dada população. Kinupp destaca que entre 10 a 20% da flora mundial tem potencial alimentício. Dentre as PANC que podem ser encontradas em Petrópolis e na Região Serrana do Rio de Janeiro estão, por exemplo, o peixinho e a ora-pro-nobis, além de partes comestíveis e não frequentemente consumidas de plantas convencionais, como as folhas e talos da cenoura, beterraba, couve-flor, abóbora, batata-doce, entre outras.

Adilson Oliveira é nutricionista e faz parte da equipe do Programa de Biodiversidade e Saúde do Fórum Itaboraí. Entusiasta e envolvido com os trabalhos que resultaram nesta publicação, ele esclarece que uma mesma planta pode ser considerada convencional em uma região e não convencional em outra, e que, com o tempo, conforme seu uso seja resgatado ou propagado, ela passará a ser convencional, sendo reconhecida, produzida, comercializada e fazendo parte do dia a dia alimentar dessa população. Também são PANC as partes comestíveis e não frequentemente consumidas de plantas convencionais, como as folhas e talos de: cenoura, beterraba, couve-flor, abóbora, batata-doce, entre outras. Ele acrescenta que estas plantas não têm sido produzidas por falta de conhecimento dos agricultores ou porque elas foram “esquecidas” pelo mercado. “O cultivo destas plantas também apresenta vantagens em relação aos cultivos tradicionais, pois as PANC são mais resistentes a pragas e se integram melhor com a fauna e a flora nativa. Muitas delas também possuem potencial para complementação da renda familiar. Em síntese, as PANC são a própria essência do conceito de agroecologia”, explica Adilson. “Seja na forma do alimento propriamente dito, ou como substâncias condimentares ou aromáticas, substitutas de sal, edulcorantes, amaciantes de carnes e corantes, as PANC podem ser inseridas na alimentação cotidiana, com ganhos nutricionais e baixo custo”, complementa o nutricionista.

Fórum Itaboraí – Fiocruz

Inaugurado em 18 de outubro de 2011, como um programa especial da Presidência da Fiocruz, o Palácio Itaboraí abriga o Fórum Itaboraí: Política, Ciência e Cultura na Saúde. O Fórum é um espaço permanente de reflexão e geração de ideias, que tem como principal objetivo reunir intelectuais, cientistas, artistas, gestores e usuários de educação e saúde do Brasil e do estrangeiro, para gerar formulações de políticas e práticas tendentes a reduzir as desigualdades sociais na saúde. O Fórum também desenvolve ações comunitárias que permitam pôr em prática atividades inter e transetoriais. Entre essas práticas se destacam: o Programa de Biodiversidade e Saúde, cujos principais projetos são o Arranjo Produtivo Local – APL de Plantas Medicinais e a Trilha do Arboreto, uma trilha urbana de 808 metros, com um acervo de mais de 400 espécies de plantas vivas e identificadas, sendo a maior parte delas medicinais, que visam disseminar e resgatar os conhecimentos tradicionais e populares do cuidado na saúde; a Orquestra de Câmara do Palácio Itaboraí – OCPIT, um projeto sociocultural que visa oferecer a oportunidade de formação orquestral, humanista e profissionalizante a alunos da rede pública de ensino de Petrópolis; o desenvolvimento e aplicação de tecnologias sociais (como o Diagnóstico Rápido Participativo – DRP, o Teatro do Oprimido e a cartografia participativa) para o estudo participativo dos determinantes de saúde de territórios em Petrópolis e atuação articulada com outros setores, como o poder público e universidades, para o desenvolvimento local; incluem-se, ainda, a Biblioteca Livre do Palácio Itaboraí, com acervo focado nos Programas do Fórum e disponibilização de acesso a bibliotecas virtuais; atividades de apoio à capacitação tecnológica para trabalhadores de saúde; a investigação-ação participativa no campo da promoção da saúde; debates culturais, projetos, eventos e exposições de artes e cultura, entre outras.

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Fonte: Thaís Ferreira
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