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Direito de Família por Regina Janiques - A Adulteração da Verdade e o Amor Responsável
Uma matéria cíclica e repetitiva, em tumultos existentes no Direito de Família, surge devido a famílias formadas por uma relação que se fundamenta no disfarce, na camuflagem da verdade,sobre a procedência das relações humanas que surge entre os sujeitos de direito de um determinado núcleo familiar. Um significativo, ainda que não se conceba a idéia como um fato muito presente em nossas realidades, está na adoção à brasileira.

Adoção à brasileira é aquela em que o casal opta pela maternidade e paternidade, mas não quer se submeter aos trâmites legais de um processo de adoção. O pano de fundo do casal que se esquiva dos trâmites judiciais, para que se consolide uma adoção legal, reside o desejo de manter, para a sociedade, a aparência de que o filho é biológico. Optam por manter a adulteração da verdade para a própria criança, que cresce num ambiente familiar no qual se mantém a alteração da verdade para a própria criança, que tem seu desenvolvimento social, intelectual, psicológico sob a influência velada da administração diária de uma mentira, de uma fantasia e de uma vida de faz de conta.

Esta relação é nociva e acaba sugando as pessoas envolvidas neste contexto familiar e culmina por exercer uma interferência nas relações de afeto, que não raro se tornam sofridas e doloridas e culminam em rupturas. Estas relações se desenvolvem conflituosas e, muitas das vezes, de forma inconsciente. E assim permanecem quando a via de uma tentativa de diálogo é a justiça, para tentar minimizar o conflito e envidar esforços, para se encontrar uma solução conciliatória. E tudo em face de um desvio da verdade praticada no passado, do projeto de comunhão plena de vida passa-se a viver a tortura diuturna da verdade vir à tona.

Recentemente, muitos conflitos familiares, com demandas judiciais, têm sido uma constante naquelas famílias que foram idealizadas e construídas sob a ótica da mentira. Outro fato significante que gera a adulteração da verdade e o amor irresponsável tem ocorrido com freqüência nas ligações paralelas.

A mulher engravida, mas, sem ter certeza da paternidade do filho que está no ventre, atribui o vinculo da paternidade genética ao homem com quem mantém relacionamento sexual, com quem ela gostaria de ter um filho ou de construir uma família. Este suposto pai aceita a revelação da paternidade, sem levantar dúvida. Em realidade aquele pai foi eleito, escolhido, selecionado (adjetive-se da maneira que quiser) por mera hipótese de probabilidade. Tudo é uma conveniência.

Aquele pai eleito acaba por envolver-se e ser envolvido com o encantamento responsável de constituir uma família com aquela mulher e, via de regra, recebe a criança como um filho biológico. No entanto, a dúvida permaneceu para a mãe, que passa a um indagamento, quase que diário, se há vínculo genético entre o pai e o filho, persegue a intenção de encontrar semelhanças entre o pai eleito e o filho gerado. Não se olvide. Este comportamento silencioso da mãe acaba, por força de inúmeras conseqüências, percebido de modo inconsciente. Vive-se o cotidiano fantasma da dúvida.

A dúvida traz o sofrimento angustiante a esta mãe, que de forma irresponsável, dissimulou o passado, e aquela incerteza, culmina por atormentar a família e minar os relacionamentos afetivos. Não raro, na tentativa de por fim ao convívio diário com a dúvida, muitas vezes desencadeia a ruptura da vida a dois. Muitas vezes, mesmo com a ruptura da vida a dois, a verdade permanece encoberta. O pai prossegue a vida pensando ser o pai biológico e a mãe atormentada por uma insensata mentira do passado, decorrente da vivência de um grande amor ou de um desatinado comportamento.

Estórias como estas, são mais comuns que possamos imaginar e, estabelecem o lado sombrio de tantas famílias. É imprescindível entender que o amor responsável é o grande diferencial nas relações de afeto do núcleo familiar, para que ele (o afeto) se solidifique e possa ser o diferencial no psiquismo de cada um dos integrantes do grupo familiar.

A família não se constrói e o afeto não se solidifica na mentira e nas falsas demonstrações de amor irresponsável. O amor responsável tem seus laços na solidez da verdade.

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