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Conversando com Tê - Escrevendo para mim

Por Tê Barbosa - 01/06/2009

ESCREVENDO PRA MIM
Homenagem a um amigo sem fim

· "Anda, parar é covardia e olhar para a cidade do passado é ignorância." 
· Khalil Gibran


Meu amigo Edyr Raposo vive fazendo troça com as coisas que eu faço e justamente uma delas é o Conversando com Tê. Ele diz que em vez de conversar, eu deveria “Escrever para Tê”, por isso, e como adoro desafios, aqui vão essas mal traçadas linhas pra mim...

Como vai, amiga? Faz muito tempo que não a vejo e nem tenho tido a oportunidade de dar um abraço sincero e gostoso nessa Tê que há muito não pára pra ver o sol se pôr ou nascer; que não pára mais pelas esquinas pra jogar conversa fora ou mesmo relembrar os velhos tempos de outrora, tomando um cafezinho no botequim, no meio do caminho entre um compromisso profissional ou as compras de supermercado. Afinal, por onde anda você?

Você que gosta de poesia, de trocar a noite pelo dia, de dizer que apesar de toda a tecnologia, o bom mesmo é ouvir Vinícius em LP. Ouvi dizer que você mesmo não anda tendo muito tempo pra se encontrar com você. Será? Eu, se bem a conheço, acho que isso é uma grande bobagem, pois se é mesmo verdade o que dizem por aí, está na hora de parar com essa história e voltar a ser a Tê de outrora, que sempre traz no coração a criança que ri, que canta e dança ao simples vento de todos os quadrantes e a despeito de chuva ou relâmpago.

Pára com isso, menina, que a vida é sábia e ela nos ensina que um minuto perdido, é tempo passado e o presente é pra ser vivido, pois o futuro a Deus pertence. Isso me faz lembrar do começo dessa conversa e do meu amigo Edyr Raposo. Alguém de quem gosto de falar e que me remete às palavras do pintor alucinado, Pablo Picasso: Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.

Edyr Raposo é jornalista, contador de causus e decano das minhas amizades mais queridas. Eterna presença na minha pequenina existência mas que conforta e me suporta em tempos de bonança ou tempestade. Edyr é porto seguro que, mesmo distante, me acena calmarias e me garante que todo dia é dia de domingo.

FILSOFIA DE DOMINGO

É mais ou menos assim que diz o ditado: o homem descansa enquanto carrega pedra. E se eu estiver errada, que me perdoem os ditos populares, pois só sei que, numa dessas tardes de domingo em que a preguiça toma conta da gente e que dormir o sono dos justos é a única vontade que se tem, aqui estou eu, carregando alguns predegulhos a pensar na vida.

Ah, o pensamento! Deveria ser uma simples necessidade orgânica acoplado a um dispositivo de liga-desliga ao nosso bel prazer, porque se não, meu amigo, é o tudo e o nada que nos acontece motivo de análises profundas e teorias psicodélicas. Bem, mas como eu me contento com o pouco possível, olha eu aqui a pensar e a repensar soluções mágicas para as minhas dificuldades cotidianas.

Penso daqui, penso dali mil conjecturas e, a certa altura, solto fumacinhas ao lembrar de alguns dizeres filosóficos de grande antiguidade, numa atitude até mesmo rebelde: penso logo existo ou será que existo porque penso? – ou ainda, por que penso se existo? – Cá entre nós, pensei eu, isso não passa de velhos chavões excitantes da desordem psicológica, de diagnóstico certamente existencial.

Aí, nesse delicado ponto nevrálgico, me veio a inspiração ou talvez parafuso, paranóia ou sabe-se lá se neurótica indigestão?! Só sei que quanto mais eu pensava, mais não tinha opinião formada de senões, grilos na cuca ou quem sabe ainda, a domingueira indisposição para encarar, heroicamente, a cozinha e o fogão.

Súbito, surge nas entrelinhas do livre pensar dessa tal de dialética, a perseguida luz no final do túnel, clareando idéias tão platônicas. E, assim, esqueço as equações matemáticas, os teoremas e os problemas, espreguiço-me alto e gostoso. Olho através da janela o sol enfeitando o dia e arrisco um palpite: que tal um chop gelado, um bom papo e muito som, permitindo que flua essa vida que aí está, esperando pra ser vivida por nós, simples seres pensantes? Que tal, hem? Vamos lá?

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