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Conversando com Tê - Sublime

Tê Barbosa - 15/06/2008

Pode quem quiser falar ou mesmo fofocar ou ainda achar que é lugar comum, mas não há nada mais sublime do que estar presente à expectativa que culmina no nascimento de uma criança.

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Nasceram Anabella, Sophia e Nuno, meus netos, e com eles a certeza de que a vida se renova no milagre que se encerra no primeiro chorinho das meninas e do menino - lindos, rosados, gordinhos e desejados por todos. Ridículo? Não, pois nem todo mundo tem a graça de ser festejado, em sua chegada, com tanto amor e alegria. Em frente à porta da sala de parto batiam tantos corações agitados, fazendo torcida, esperando ansiosos, querendo todos ao mesmo tempo dar as boas vindas às novas vidas.

Depois, olhos extasiados, marejados de emoção à visão do amor feito criança em braços humanamente aconchegada. Uma explosão de alegria fez com que as mãos se unissem, palma a palma sobre o peito, num gesto inconsciente de prece e gratidão. Julho de 2004, junho de 2006 e janeiro de 2007 foram meses e anos abençoados. Este 2008, melhor ainda pois os tenho bem perto de mim.

Eu sei que a desesperança tem tomado conta de nossos sonhos. Eu sei que o real está escasso. Eu sei que o trabalho anda estressado. Eu sei que o urso vem rondando os abraços. Eu sei que o amor de tanto esperar já está ficando cansado. Eu sei que a paz está difícil de ser alcançada. Eu sei que a bondade tem estado esquecida do outro lado da vida, mas o nascimento dos meus amados netos me fez pensar...

E relembrar o dia em que meus filhos nasceram - felicidade, antes apenas percebida à distância - nesse dia, palpável, ao toque do primeiro beijo de amor de mãe em suas pequeninas faces e que me revelaram, desde o primeiro minuto, a presença de Deus materializada em carne e osso. Que maravilha é a sensação da continuidade!

O nascimento dos meus netos me fez pensar na importância da união entre os homens, na força da amizade, no valor do companheirismo, no estar juntos em quaisquer circunstâncias, na responsabilidade de plantar boas sementes na Terra para que ela seja, cada vez mais, azul. 

Pensei também que, mesmo que não percebamos, nos tornamos eternamente responsáveis por quem cativamos, disse uma vez um pequeno grande príncipe. Por isso, a necessidade de estarmos sempre atentos para que as nossas ações não se percam na pequenez do nosso próprio umbigo e nunca esquecer que amar não é um jogo - mesmo que seja excitante jogá-lo - envolve pessoas que podemos ferir irremediavelmente.

Eu também tive a certeza de que cada um de nós faz parte de um plano maior e não importa o quanto resistamos: a roda do mundo gira, redonda, e o que plantamos hoje, colhemos amanhã com sabor de fel ou mel, dependendo da semeadura. Pensei ainda nas coisas simples da vida, como um doce sorriso, a mão estendida, uma palavra de incentivo, o conforto de um ombro amigo, um bebê mamando no peito da mãe, a segurança da família, a proteção do Pai, um pôr-do-sol em boa companhia, um buquê de flores inesperado, um papo na esquina, uma bela rima, um passeio na praça, um telefonema “liguei só pra saber como vai você”, uma música especial, um abraço apertado, um olhar apaixonado, um beijo de amor etc e tal.

Todas essas maravilhas banais e outras tantas que, afinal, fazem a vida valer mais que qualquer prêmio de loteria, disputa eleitoral ou status profissional. Irreal? Paciência, que seja! Consideremos então que, dinheiro a gente pode perder; podem nos roubar ou nós mesmos podemos jogar fora no lixo da imprudência. Mas, o que sentimos e amamos, de verdade, carregamos onde quer que estejamos, neste ou no próximo passo. Quero mais é viver dessa ilusão.

Que todos os seres que estão por nascer, não importa se menino ou menina, chegue abrindo, de par em par, as portas da gratidão e com ele possamos festejar a alegria de estarmos vivos, permitindo que o nosso coração se aqueça novamente de esperança e na crença de que o milagre da vida se renova cada dia, sob a proteção e a benção de Deus. Agora é esperar o tempo passar pra ser bisavó, isso se algum outro neto ou neta não resolver aparecer iluminando o meu caminho. Amém!

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