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Conversando com Tê - Sobre as Bobagens que se Pensa - 19/04/08

“Deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa
e qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d’água.”

Bem que meu irmão me falou que a vida começava aos quarenta. E olha que eu já estou com alguns bons anos a frente. Se antes de entrar nos enta, o meu dia-a-dia era coisa que dá em doido, depois que entrei, é rock pauleira que parece um nunca acabar – é assessoria de imprensa de água aromatizada, de colégio de santo que me ensina a ser educada; é preocupação com a família de sangue e de coração; é a casa pra cuidar; é a água que não pode faltar no filtro; é a situação do país; é a roupa pra lavar; é a violência que cresce; é a dengue que aparece – Deus do Céu – não posso esquecer de rezar!

E como se não bastasse, isso tudo me faz pensar mais a respeito da vida e do que eu fiz durante esses anos do sou dona do meu nariz. Sou nada! Às vezes, planejamos de cabo a rabo, o fio da meada e o fio se parte a meio caminho, nos fazendo percorrer estradas nunca d’antes imaginadas ou nos deixando, sem eira nem beira, no meio-fio estáticos, vendo as águas do rio passarem.

Isso me faz lembrar o caso daquele meu amigo que, apaixonado, acabou sendo atirado pela namorada dentro de um rio e, apesar de ter sobrevivido, vez ou outra também foi parar, pelo mesmo motivo, pendurado numa cerca de arame farpado. O que o meu amigo pensava ser Love Story, acabou Um Dia de Cão e na contramão da história. O que vem reforçar o dito acima de que não dá mesmo pra prever o desfecho de nada nessa vida. Sei não!

Falando nisso, que coisa linda é estar apaixonada! Olhares lânguidos trocados, mãos suadas, coração batendo acelerado, incrementado pelo friozinho na barriga, acompanhado por aquela vontade de ser hollywoodianamente beijada, daquele jeito que faz a gente perder o juízo e não pensar em mais nada. Fôlego? Por que ou pra que te quero? - se sufocar (eu sufoco, tu sufocas, ele me sufoca), nessa hora, é o que importa quando na urgência do instante, o melhor é conjugar o verbo amar e deixar rolar a emoção, o toque de mãos, o contato pele a pele. Embarcar em viagem a outra dimensão. É bom! É bom! É bom!

 Ah, o amor é lindo! Tão lindo que algumas vezes, ficamos a nos perguntar se é coisa de Deus ou do Diabo, já que dizem que ele não é tão feio quanto se pinta. E se é coisa divina, com certeza, é salvador mas de qualquer forma rima com dor ou dos antigos escritos não constaria o tal do mal de amor, como força de expressão.

Na indecisão do faz bem ou faz mal estamos sempre permitindo que esse deus talhado em carne e osso, sem retoques e humanamente cheio de defeitos, nos arrebate, nos entonteça, fazendo com que queiramos morrer envenenados por esse amor que ora é dor ora é prazer, mesmo que esse amor acabe dentro do leito de um rio e nos deixe aberto a cicatrizes, difíceis de serem fechadas.

Depois dos enta, muitas bobagens se pensa. Muitas dores se sente. Ah, os amores de ontem! Hoje, lembranças. O amanhã? - a Deus pertence. Mas fica a experiência, e toda ela é boa, mesmo que sirva apenas para descobrirmos, que nem sempre é válida mas necessária para invalidar o ditado de que antes só do que mal acompanhada.

Enfim, descobrimos também que um coração partido muitas vezes é dor que vem para nos educar, onde aprendemos a buscar relações mais generosas. Trocando em miúdos, e enquanto seu lobo não vem, lá vamos nós nos esquentar sob lençóis macios nesse dia gelado, debaixo de um cobertor gostoso, tomando chá quente, lendo poemas de Neruda ao som de Besame mucho. E você, que gentilmente me lê, quais as bobagens que pensa?

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